Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A vida de Sundays

A vida de Sundays

Coração dividido na final da Champions

Razões para torcer pelo Atlético: a minha tendência natural para estar pelos mais fracos. Eu sei, eu sei, que grande parvoíce. Mas sempre senti que o Real vivia no seu mundinho astronómico muito ao estilo de "tenho o rei na barriga". Sempre os achei um clube elitista com a mania que vivem numa realidade paralela e que comem tudo o que se atravesse à frente. O Atlético é uma equipa simpática que esta época está provavelmente a viver "A" época.

 

Razões para torcer pelo Real: o Fábinho Coentrão e o Dí Mariazinho. Mais o Coentrão, vá. Ex-benfiquistas que nos deram muitas alegrias e por quem ainda tenho um carinho especial. Ah, e claro está, o Ronaldo (embora este para mim seja um falso motivo. Se formos por aí, o Tiago também está no Atlético. "Ah e tal mas o Ronaldo é o melhor do mundo". E então? É mais merecedor do meu apoio? Não, não e não. Até consigo achar uma pequena falta de consideração apoiar o Real porque tem o português Ronaldo. Ambas as equipas têm jogadores da Tuga amigos!).

 

Posto isto, a 3 minutos do fim do jogo, o Atlético ganha e eu não consigo torcer por ninguém. O meu coração está dividido. 

La la la

Ainda não tinha ouvido a nova música com a maior das atenções, lalala para aqui, lalala para ali. Mais do mesmo. Pois que acabei de ver o videoclip da Shakira dedicado ao Mundial 2014 e não posso deixar de bater palminhas. A música foi adaptada à ocasião e agora soa o belo refrão "is it true that you want it? Then act like you mean it!", o que não podia fazer mais sentido para aquilo que pretende representar. Acho que todo o videoclip apela a um espírito de união bonito de se ver, gosto da presença dos jogadores, gosto do ar exótico, gosto das cores das bandeiras (Portugal com a devida presença!).

 

Eu que nem estava muito virada para viver o Mundial à séria, senti dentro de mim umas reminiscências profundas de um longínquo Euro 2004. Boa, Shaki!

 

Fui cobarde

Antes do jogo estava confiante. Com uma confiança inabalável. Era o nosso ano, desta vez ninguém nos podia travar! Também tenho para mim que a confiança excessiva é sempre um mau presságio. Mas o que é que eu podia fazer? Estava confiante, pronto. Meti de parte os pensamentos negativos e resolvi acreditar, torcer por ti e acreditar no golo que tardava mas que eu sabia que viria. Afinal, este ano ele acabou sempre por aparecer e com a força e a garra digna do maior do mundo nunca me deixaste ficar mal. Mas este 14 de Maio, contra todos os prognósticos, o golo não apareceu.

 

E eu estava tão nervosa. Digo-te, acho que nunca sofri tanto por ti como nesta final. O meu coração batia a mil, e as oportunidades falhadas e penaltis que ficaram por marcar deram cabo de mim. Como era possível que nada corresse bem? O que é que podia ser pior do que, na final europeia, uma equipa que mostrou durante uma época inteira estar ao nível dos melhores, se apresentasse apenas "assim-assim"? E um árbitro que parece fechar os olhos sempre para o mesmo lado?

 

Quando soou o apito final, já depois do prolongamento, desisti. Não fui capaz de ver os penaltis e sofrer contigo e por ti. A ansiedade era muita e o medo da possibilidade de ver espelhada nos vossos rostos a tristeza de mais uma oportunidade perdida, ainda maior. Fui cobarde, eu sei, mas tenho dificuldade em lidar com situações que estão fora do meu controlo. E do vosso. Fechei-me no quarto e meti os auscultadores nos ouvidos o mais alto que me foi possível. Não queria ouvir, só queria o resultado final. Não é desculpa, eu sei, mas os penaltis são como o totoloto, a vitória cai para o lado que calhar e desta vez não foi para o nosso lado. É tão simples quanto isso. Nada invalida a vossa grandeza e a felicidade que já nos deram.

 

Não consigo deixar de sentir a ridícula sensação de culpa por não ter estado lá, colada à televisão a torcer por vocês com cada músculo que tenho no corpo. Há uma parte de mim que estupidamente acredita que isso podia ter feito a diferença. Desculpa-me, meu Benfica. És grande, sempre.