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A vida de Sundays

A vida de Sundays

Alguns deviam ser para sempre

As primeiras recordações são do cientista amalucado que criou o pequeno pegajoso verde e saltitante. Também me lembro da velhinha de óculos que afinal era um senhor que se disfarçava de velhinha de óculos para se aproximar dos filhos. Ou do homem barbudo, deslocado temporalmente que apareceu quando os dados do Jumanji foram lançados e perguntou "what year is it?". Mas isto são tudo memórias de infância. Quando soube dar valor ao cinema e percebi que havia senhores que estavam lá desde sempre - pelo menos desde o meu "sempre" - e, esperava eu, para sempre, comecei a distinguir, num processo mental natural, os que o faziam com paixão, os simpáticos e humildes, aqueles que, ainda que vivendo do outro lado do mundo numa realidade muito diferente, têm uma capacidade natural de nos fazer sorrir e nutrir a nossa simpatia. Robin Williams era assim. É difícil aceitar que alguém que trouxe alegria a tanta gente, responsável por tantas gargalhadas e momentos felizes, tivesse - como aparentemente tinha - um estado de espírito tão inversamente proporcional.

 

Até sempre, Robin!

 

Dress their future!

A campanha Dress his future é da agência criativa italiana LevenLab e tem tanto de simples como de impactante. O conceito não podia ser mais fácil de entender, o que me parece a melhor opção dado que, nestes assuntos, não vale a pena complicar. É preciso tocar na ferida e fazê-lo da forma mais directa. Lembra-nos (como é possível que nos tenhamos esquecido?) que a infância é a idade da inocência e da fantasia e contrapõe-lhe algumas das suas principais ameaças da actualidade: o trabalho infantil, a exploração, a guerra. "Uma criança é sempre uma criança... mesmo que lhe roubem a infância". Que roupas vamos escolher para as nossas crianças?

 

 

 

Os géniozinhos de Portugal

Acabei de encontrar isto e ainda não estou em mim. Afinal o meu percurso escolar foi todo uma mentira! Meus senhores, a verdadeira fonte do conhecimento está aqui. Estes são os génios do futuro. As minhas descobertas preferidas:

 

"Quando os egípcios viam a morte a chegar, disfarçavam-se de múmia": claro que sim, os senhores que viviam nas pirâmides viam a morte a virar a esquina e pensavam "aaaah, aí vem ela, onde é que eu me vou esconder? Ah, está aqui um túmulo a dar sopa. Vou enrolar-me em papel higiénico enfiar-me aqui dentro, aposto que não vai dar por mim". É por isto que o Cavaco ainda anda por aí, deve ter descendência egípcia, o malandro.

 

"Na segunda guerra mundial, toda a Europa foi vítima da barbie nazi": eu já estou a imaginar uma Barbie linda e sexy a tentar pobres homens de família, engatá-los e levá-los para o seu covil. Chegados lá, os pobres rapazes esperavam uma bela noite de amor e tumbas, ficavam sem pilinha.  É que ela fazia isto todas as noites. E toda a Europa foi dizimada à conta deste belo serviço. Uma verdadeira desgraça.

 

"A idade da pedra começa com a invenção do Bronze": Ora, mas esta é óbvia. Toda a gente sabe que antes de se descobrir o bronze o mundo era feito de algodão doce e habitado por unicórnios. Não era?

 

"Quando o olho vê, não sabe o que está a ver, então ele amanda uma foto elétrica para o cérebro que lhe explica o que está a ver": O olho diz "cá vai distooooo", e o cérebro apanha. Por isso é que há pessoas retardadas, o olho às vezes falha os lançamentos e a bola vai ao lado. Já estou a imaginar esta triste alma a tentar justificar-se à namorada daqui a uns tempos "não amor, eu não estava na cama com ela, viste mal, a foto eléctrica que o teu olho mandou tinha erros, de certeza!"

 

"O índice de fecundidade deve ser igual a 2 para garantir a reprodução das espécies, pois precisa-se de um macho e uma fêmea para fazer o bebé. Podem até ser 3 ou 4, mas chegam 2": esta não percebo. Esta criança é um verdadeiro prodígio, sabe como funcionam as coisas e já domina o conceito de "quanto mais melhor".

 

"Pedofilia é o nome que se dá ao estudo dos pêlos": Se calhar não vou comentar isto... Err. Não vou mesmo.

 

"A Terra vira-se nela mesma, e esse difícil movimento chama-se arrotação": É o chamado terramoto, minha gente! Toda a gente sabe que de vez em quando a terra tem de fazer o seu processo de arrotação, isto fica tudo de pantanas mas são danos colaterais.

 

 

Tenho a sensação que, se fosse professora, corrigir exames nacionais era o ponto alto da minha carreira. Depois disto não podia pedir mais nada.

Não, George RR Martin, nãaaaaaaaao!

Antes de mais aviso à tripulação da possibilidade de existência nesta publicação de informações altamente reveladoras (e perturbadoras!) acerca do último episódio da Guerra dos Tronos. Pronto, estão por vossa conta.

 

Então não é que mataram o bonzão do Oberyn?! Não, nãaaaaaaaaaaaaao! Porquê, George RR Martin, porquêeeee?! Que raio de mania, quando uma pessoa se começa a afeiçoar à personagem (desta vez não era díficil, upa upa), acaba-se com ela. Numa espécie de "toma lá que é para aprenderes que aqui quem manda sou eu". Já percebemos, está bem? A sério, quem manda és tu, já nos rendemos. E acabares com o rapaz daquela maneira? Não se faz, merecia um bocadinho de dignidade, nem que fosse só um facãozinho espetado no lombo, tudo menos miolos a saltar.

 

 

 

A minha reacção foi mais ou menos como a desta senhora. Estou desolada.

 

A feira do livro, dívidas literárias e outras coisas

Aqui há dias, o Sapo questionava-nos acerca das nossas dívidas literárias. Quando vi o tópico, em jeito de sugestão de publicação, sorri sozinha. Se eu tenho dívidas literárias? Tenho tanta coisa para ler, umas por obrigação, outras por opção, que o que mais acontece na minha vida literária dos últimos tempos é comprar livros que vão para a prateleira uma ou duas semanas depois (é o tempo que demoro a consciencializar-me que "vai ter de ficar para depois"). A verdade é que ultimamente tenho tantas leituras académicas para fazer, tantos projectos para terminar, tantas séries para ver, que, confesso, as leituras recreativas vão ficando acumuladas e vou prometendo a mim mesma que, quando terminar isto e aquilo, é que vai ser (pfff, tola).

 

Este sábado fui à feira do livro. Se há coisa que me dá prazer fazer, todos os anos por esta altura, é ir dar a minha voltinha à feira. Porque além de gostar de ler, gosto de livros. E não, não é a mesma coisa. Eu gosto mesmo do objecto físico que é um livro, gosto de olhar para o livro com o encantamento de saber que há um mundo lá dentro por descobrir, gosto do cheiro, do toque, de ler a primeira página e imaginar em que circunstâncias foi escrito, de onde veio a inspiração, o estilo... Bom, lá arrastei o meu rapaz e fomos passear no meio dos livros. E obviamente que a minha dívida literária ia aumentar. Aliás, eu já tinha premeditado o aumento. Desde o ano passado que recebo no mail a newsletter diária da feira com os livros que estão em promoção em cada dia, os "livros do dia". Com uma passagem de olhos rápida, percebi que o Anna Karénina ia estar a 16€ (quando o preço habitual é 32€). Obviamente que sai da feira com o grande calhamaço, feliz da vida!

 

Quando cheguei a casa a minha mãe perguntou-me: "Mas tu já viste a quantidade de livros que tens no quarto por ler?", ao que eu tentei explicar, muito calmamente, querida mãezinha, que os livros não têm prazo de validade e eu sei que todos terão o seu momento. Pode não ser agora, mas vamos ser felizes juntos. Por algum motivo a esmagadora maioria dos livros que tenho são comprados em promoções, há que aproveitar os momentos certos.

 

Sinceramente, estou perto de assumir a máxima "Livros no caminho? Guardo-os todos. Um dia vou construir uma biblioteca privada" (juro-vos que adorava!)

 

 

Os últimos derrotados da saga. Pior que estes só mesmo o Cem Anos de Solidão, lindíssimo mas ao mesmo tempo complexo. Ia quase a meio, fiz uma paragem de duas semanas e foi impossível continuar por já não me lembrar do raio dos nomes das personagens!

 

 

E o novo inquilino da minha mesa de cabeceira. Comprometi-me a ler pelo menos um capítulo por dia (alguns têm duas ou três páginas, não há-de ser difícil).

La la la

Ainda não tinha ouvido a nova música com a maior das atenções, lalala para aqui, lalala para ali. Mais do mesmo. Pois que acabei de ver o videoclip da Shakira dedicado ao Mundial 2014 e não posso deixar de bater palminhas. A música foi adaptada à ocasião e agora soa o belo refrão "is it true that you want it? Then act like you mean it!", o que não podia fazer mais sentido para aquilo que pretende representar. Acho que todo o videoclip apela a um espírito de união bonito de se ver, gosto da presença dos jogadores, gosto do ar exótico, gosto das cores das bandeiras (Portugal com a devida presença!).

 

Eu que nem estava muito virada para viver o Mundial à séria, senti dentro de mim umas reminiscências profundas de um longínquo Euro 2004. Boa, Shaki!

 

Óscares: os melhores, sem categorias

Se há coisa que me apraz e podia fazer para o resto da vida desde que acompanhada por um grande e bem servido balde de pipocas vitalício (já imagino, pipocas a rebentar no fundo do balde a toda a hora e para sempre, que sonho!) é ir ao cinema. Ou, simplesmente, ver cinema. Sou uma voyerista, adoro conhecer histórias, deixar-me envolver por elas, ficar grudada ao ecrã na expectativa da próxima revelação, da próxima lágrima, grito ou gargalhada. Gosto especialmente de me identificar com aquilo que vejo, entrar temporariamente noutra realidade (não que a minha não seja interessante, uiiii, que belo filme se tirava daqui).

 

Posto isto, esta época pré-óscares é uma animação e faço pequenas maratonas de visualizações daqueles que serão os melhores filmes do ano. Infelizmente a malandra da tese ainda não me deixou ver todos. Assim dos grandes, faltam-me o Capitão Phillips e o Nebraska, tudo o resto já papei: Lobos de Wall Street, Hers, Clubes de Dallas, tudo tudo tudo! E assim de repente, sem ligar muito para as categorias e atendendo apenas àquilo que me surpreendeu e que ganhou um lugarzinho cativo no meu coração, destaco o seguinte:

 

O gigante Leonardo DiCaprio. Não há outra forma de o dizer, GIGANTE. A minha relação com o Leozinho não tem sido muito constante. Há uns aninhos, andava tudo a babar pelo rapaz e eu achava-o, apenas e só, chato. Havia ali qualquer coisa que não batia certo. Tornava-se chato de tão perfeitinho, tão loirinho, tão carinha de bebé, o homem não tinha charme nenhum! Mesmo as actuações, eram só competentes. Mas agora, agora a conversa é outra. *suspiro* Na pele do lobo de Wall Street transcende totalmente tudo o que já fez e prova que é um monstro do cinema. Dêem um Óscar ao homem! Apenas um parentesis para dizer que: sim, eu também gostei muito da actuação do Matthew Mcconaughey em O Clube de Dallas, sim está genial e sim, tenho perfeita noção que o homem perdeu 20kgs (tens de me ensinar Matthew querido!). E não, não consigo optar pelo Leo ou pelo Matthew e escolher entre estes a melhor actuação. Simplesmente acho que o Leo já tem mais provas dadas no cinema e, por isso, troço por ele. Ficarei igualmente feliz se ganhar o Matthew e até tenho um feeling que é o que vai acontecer.

 

O melhor actor secundário só pode ter um nome: Jared Leto. O que é que ele ainda anda a fazer no mundo da música? Desempenha o papel de transexual em O Clube de Dallas com um realismo ao ponto de uma pessoa ficar com vontade de o abraçar e fazer dele a nossa melhor amiga! Uma personagem maravilhosa.

 

O filme Her. Bom, admito que não seja o melhor filme de 2013, há outros com maior complexidade, com outros elementos enriquecedores - como o 12 Anos Escravo, O Lobo de Wall Street ou o Clube de Dallas - mas este é o meufilme de 2013. Pela simples razão de que foi o único que me conseguiu sensibilizar para uma coisa que me diz muito: as relações. Her é sobre o fim do amor como o conhecemos hoje e a metáfora perfeita da sociedade tecnológica que temos à nossa frente. É sobre deixar para trás as cartas de amor, o dedicar tempo a uma relação e o extrair felicidade das coisas mais simples, substituindo-as por máquinas. Mas, inevitavelmente, a vida torna-se extremamente solitária. Para mim, Her quer ser o alerta de que a essência do amor não deve ser perdida e, no final de contas, retornamos sempre ao ponto de partida. O Joaquín Phoenix está sublime no papel do tímido e incompreendido protagonista.

 

Ainda em Her, a banda sonora, constítuida em parte por uma playlist dos Arcade Fire. Nunca me tinha apaixonado tanto por uma banda sonora exclusivamente instrumental. Oiçam aqui e tirem as vossas conclusões.

 

cena da paralisia cerebral em O Lobo de Wall Street. Pois, cá está o Leo outra vez. Sobre isto só tenho a dizer que é de chorar a rir. Por algum motivo, a plateia que estava na mesma sala de cinema que eu não achou a mesma piada que eu. Não sei se o problema é de mim, que estava demasiadamente sensível à ideia de ver o Leo a rebolar-se pelo chão, mas a verdade é que tive de conter gargalhadas mais sonoras e prolongadas sob o risco de me mandarem calar. De qualquer forma, a sequência, para a qual também contribui Jonah Hill, já mora no meu coração.

 

O corpinho da Amy Adams. Não é que a namoradinha de Hollywood, inocente de olhos verdes afinal também sabe ser boazuda? Confesso que nunca fui muito adepta das suas interpretações, sempre me pareceu sonsinha, sem pitada de sal. Mas neste Golpada Americana é uma verdadeira lufada de ar fresco. De resto, é capaz de ser a única coisa que se aproveita verdadeiramente do filme, aborrecido que só ele.

 

Menção honrosa para o 12 Anos Escravo, na minha opinião o mais forte candidato ao Óscar de Melhor Filme. Uma história muito forte sobre um homem normal que foi feito escravo. É duro pensar que foi baseado numa história verídica e triste saber que ainda hoje existem casos de escravidão, no fim de contas, ainda somos muito pouco humanos.

 

 

E agora é esperar pela madrugada de segunda-feira e pela outra metade igualmente interessantíssima: a red carpet!

"Cordas" ou A mais bela história de amor

Há histórias e histórias... Depois há AS histórias. Que nos fazem respirar mais fundo e levam para sempre um bocadinho de nós. Esta curta-metragem ganhou o Goya deste ano e é inspirada nos filhos do seu realizador, Pedro Solís, cuja filha é apaixonada pelo irmão que sofre de paralisia cerebral. A prova de que as crianças são os seres mais verdadeiros e inocentes à face da terra e os protagonistas das mais belas histórias de amor. Façam um favor a vós próprios e vejam.