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A vida de Sundays

A vida de Sundays

O 16 de Junho

Hoje o dia foi especial (bem sei que já passa da meia noite, mas o meu dia ainda não acabou). Não, não aconteceu nada de diferente. Mas os dias 16 de Junho são sempre especiais. É o dia em que deixei de ser só eu e passamos a ser os dois. E só eu sei o quanto já não sei ser sem ele. Não posso pedir mais, porque o 16 de Junho marca o dia em que encontrei não só o amor, mas o amigo, o ombro, a razão e a expectativa de cada dia ser apenas mais um na soma de uma vida que não podia avizinhar-se melhor.

 

Obrigada por me dares o infinito que sempre prometeste, sempre na medida certa.

 

Dela #1 O momento certo

 

E quando se torna cruel conviver com os nossos amores por ser duro o confronto daquilo em que se tornaram com aquilo que idealizámos? Sempre esperei que entendessem aquilo que o silêncio não me deixa dizer. O silêncio é um peso demasiado forte e nunca me deu tréguas. As palavras nunca saem, os actos não acontecem. Deambular pela vida esperando que ela se recomponha sozinha, que encontre o equilíbrio na paz que está para vir. Que a borboleta encontre o seu destino, que as pedras da calçadas se alinhem e recomponham e as árvores aprendam a florescer no inverno. Mas colocar o destino da vida nas mãos do próprio destino é desistir do sentido da vida. E as palavras e os actos que nunca existiram haviam de ter feito tanta diferença no momento certo... O momento certo. Sabê-lo é o mais díficil. E o mais duro. Pode ser a epígrafe de uma nova história ou o início do fim, o virar da página. Mas é preciso sabê-lo, descobri-lo.

 

Tempo de pedir desculpas por dentro por tudo aquilo que não conseguimos ser por fora. Limpar a alma. Começar de novo. Procurar os momentos certos da vida. Persegui-los. Até que a alma doa do cansaço. Mas nada ficará por dizer, por fazer.

 

 

(num registo muito diferente do habitual, às vezes preciso de escrever o que sinto da forma mais livre. Na hora, sem pensar muito. É a minha escrita mais frenética que decido, agora, começar também a partilhar)

Coisas que eu oiço... #2

Eu: Porque é que não crias um instagram?

Ele: Não vejo qual é o interesse disso...

Eu: Mas não vês coisas bonitas no mundo que gostasses de fotografar e partilhar?

Ele: A única coisa linda que vejo no mundo não a quero partilhar com mais ninguém.

 

Fiquei a olhar para ele (e acho que de boca aberta) por uma fracção de segundos. "Oi? Acabaste mesmo de dizer aquilo que eu estou a pensar?", pensei para mim. Depois assimilei e fiquei de coração cheio, assim a tentar absorver todos os pedacinhos de ar, som, cheiro e toda a matéria orgânica daquele momento que o pudesse imortalizar para sempre. Mas porquê? Pois. O meu namorado é a melhor pessoa do mundo, a mais disponível para ajudar, a mais educada, a mais amiga, mas tem assim uma pequena dificuldadezinha que me dá cabo dos nervos: é difícil sacar-lhe um sentimento. É coisa que acontece assim, uma vez a cada três meses. Sei, por conhecimento de experiência alheia à minha, que não estou sozinha nesta cruzada, é mal comum à espécie. Mas pronto, uma mulher gosta sempre de ouvir palavras que lhe aqueçam o coração e estes pequenos calhaus chamados homens têm a sensibilidade de um homem das cavernas, pouco evoluiram nesse sentido, e requerem uma intensiva domesticação. O meu já está a aprender, devagarinho vamos lá!

Não há amor mais complicado do que este

Breve troca de sms com a minha irmã ou, por assim dizer, com a pita-com-a-mania-que-é-esperta cá de casa:

 

Pita: ads

Eu: o que é isso?

Pita: mds até metes nojo

Eu: mds? Isso é o quê? E porque é que estás a dizer isso?

Pita: ads = adeus, mds = meu deus. Toda a gente sabe isto.

Eu: toda a gente = todas as pitas, não toda a gente normal.

Pita: continua para aí a estudar e deixa-me.

 

Temos nove anos de diferença. Nove aninhos. Eu 23, ela 14. Não é como se tivéssemos um fosso intransponível entre nós mas também não é fácil sermos pessoas normais de cada vez que interagimos. A verdade é que com a minha irmã sou capaz do melhor e do pior. Partilhamos imensa coisa, gostos musicais, séries e filmes, somos capazes de passar uma tarde inteira nas compras ou no quarto a falar das coisas mais descabidas. E esse é o lado bom de ter uma irmã. É uma espécie de bolha actimel, o único sítio onde me posso refugiar quando me apetece chorar só porque sim, sem ser assaltada com perguntas. Deixo-me estar. E estar, só por estar, com ela, faz-me bem. Também é com ela que vou ter quando quero partilhar a piada mais recriminável de todas, aquela coisa estúpida sobre a qual me sinto a pior pessoa do mundo por estar a fazer piada mas que sei que ela vai rir tanto ou mais despudoradamente do que eu. E ri. E rimos as duas. Até doer a barriga e faltar o ar. E, acreditem, é a melhor coisa do mundo esta de termos alguém que é um bocadinho de nós no sangue e na alma. Depois há o lado negro, aquele que, por sermos tanto uma da outra, não conseguimos ser normais uma com a outra. É que se tiver de me chatear à séria com ela, não consigo não ser indelicada. Sou e de uma forma como não o sou com mais ninguém. Chamo-lhe nomes, grito e levo para troca, e cinco minutos depois já só me apetece ir ter com ela e rir do que acabou de acontecer. E ao contrário passa-se exactamente a mesma coisa. É a ironia de querermos tão bem a alguém tão próximo, não existe o socialmente correcto nem há espaço para meias medidas. Só a sinceridade, o caos, o amor. Tudo à flor da pele.