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A vida de Sundays

A vida de Sundays

Óscares: os melhores, sem categorias

Se há coisa que me apraz e podia fazer para o resto da vida desde que acompanhada por um grande e bem servido balde de pipocas vitalício (já imagino, pipocas a rebentar no fundo do balde a toda a hora e para sempre, que sonho!) é ir ao cinema. Ou, simplesmente, ver cinema. Sou uma voyerista, adoro conhecer histórias, deixar-me envolver por elas, ficar grudada ao ecrã na expectativa da próxima revelação, da próxima lágrima, grito ou gargalhada. Gosto especialmente de me identificar com aquilo que vejo, entrar temporariamente noutra realidade (não que a minha não seja interessante, uiiii, que belo filme se tirava daqui).

 

Posto isto, esta época pré-óscares é uma animação e faço pequenas maratonas de visualizações daqueles que serão os melhores filmes do ano. Infelizmente a malandra da tese ainda não me deixou ver todos. Assim dos grandes, faltam-me o Capitão Phillips e o Nebraska, tudo o resto já papei: Lobos de Wall Street, Hers, Clubes de Dallas, tudo tudo tudo! E assim de repente, sem ligar muito para as categorias e atendendo apenas àquilo que me surpreendeu e que ganhou um lugarzinho cativo no meu coração, destaco o seguinte:

 

O gigante Leonardo DiCaprio. Não há outra forma de o dizer, GIGANTE. A minha relação com o Leozinho não tem sido muito constante. Há uns aninhos, andava tudo a babar pelo rapaz e eu achava-o, apenas e só, chato. Havia ali qualquer coisa que não batia certo. Tornava-se chato de tão perfeitinho, tão loirinho, tão carinha de bebé, o homem não tinha charme nenhum! Mesmo as actuações, eram só competentes. Mas agora, agora a conversa é outra. *suspiro* Na pele do lobo de Wall Street transcende totalmente tudo o que já fez e prova que é um monstro do cinema. Dêem um Óscar ao homem! Apenas um parentesis para dizer que: sim, eu também gostei muito da actuação do Matthew Mcconaughey em O Clube de Dallas, sim está genial e sim, tenho perfeita noção que o homem perdeu 20kgs (tens de me ensinar Matthew querido!). E não, não consigo optar pelo Leo ou pelo Matthew e escolher entre estes a melhor actuação. Simplesmente acho que o Leo já tem mais provas dadas no cinema e, por isso, troço por ele. Ficarei igualmente feliz se ganhar o Matthew e até tenho um feeling que é o que vai acontecer.

 

O melhor actor secundário só pode ter um nome: Jared Leto. O que é que ele ainda anda a fazer no mundo da música? Desempenha o papel de transexual em O Clube de Dallas com um realismo ao ponto de uma pessoa ficar com vontade de o abraçar e fazer dele a nossa melhor amiga! Uma personagem maravilhosa.

 

O filme Her. Bom, admito que não seja o melhor filme de 2013, há outros com maior complexidade, com outros elementos enriquecedores - como o 12 Anos Escravo, O Lobo de Wall Street ou o Clube de Dallas - mas este é o meufilme de 2013. Pela simples razão de que foi o único que me conseguiu sensibilizar para uma coisa que me diz muito: as relações. Her é sobre o fim do amor como o conhecemos hoje e a metáfora perfeita da sociedade tecnológica que temos à nossa frente. É sobre deixar para trás as cartas de amor, o dedicar tempo a uma relação e o extrair felicidade das coisas mais simples, substituindo-as por máquinas. Mas, inevitavelmente, a vida torna-se extremamente solitária. Para mim, Her quer ser o alerta de que a essência do amor não deve ser perdida e, no final de contas, retornamos sempre ao ponto de partida. O Joaquín Phoenix está sublime no papel do tímido e incompreendido protagonista.

 

Ainda em Her, a banda sonora, constítuida em parte por uma playlist dos Arcade Fire. Nunca me tinha apaixonado tanto por uma banda sonora exclusivamente instrumental. Oiçam aqui e tirem as vossas conclusões.

 

cena da paralisia cerebral em O Lobo de Wall Street. Pois, cá está o Leo outra vez. Sobre isto só tenho a dizer que é de chorar a rir. Por algum motivo, a plateia que estava na mesma sala de cinema que eu não achou a mesma piada que eu. Não sei se o problema é de mim, que estava demasiadamente sensível à ideia de ver o Leo a rebolar-se pelo chão, mas a verdade é que tive de conter gargalhadas mais sonoras e prolongadas sob o risco de me mandarem calar. De qualquer forma, a sequência, para a qual também contribui Jonah Hill, já mora no meu coração.

 

O corpinho da Amy Adams. Não é que a namoradinha de Hollywood, inocente de olhos verdes afinal também sabe ser boazuda? Confesso que nunca fui muito adepta das suas interpretações, sempre me pareceu sonsinha, sem pitada de sal. Mas neste Golpada Americana é uma verdadeira lufada de ar fresco. De resto, é capaz de ser a única coisa que se aproveita verdadeiramente do filme, aborrecido que só ele.

 

Menção honrosa para o 12 Anos Escravo, na minha opinião o mais forte candidato ao Óscar de Melhor Filme. Uma história muito forte sobre um homem normal que foi feito escravo. É duro pensar que foi baseado numa história verídica e triste saber que ainda hoje existem casos de escravidão, no fim de contas, ainda somos muito pouco humanos.

 

 

E agora é esperar pela madrugada de segunda-feira e pela outra metade igualmente interessantíssima: a red carpet!