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A vida de Sundays

A vida de Sundays

Não há amor mais complicado do que este

Breve troca de sms com a minha irmã ou, por assim dizer, com a pita-com-a-mania-que-é-esperta cá de casa:

 

Pita: ads

Eu: o que é isso?

Pita: mds até metes nojo

Eu: mds? Isso é o quê? E porque é que estás a dizer isso?

Pita: ads = adeus, mds = meu deus. Toda a gente sabe isto.

Eu: toda a gente = todas as pitas, não toda a gente normal.

Pita: continua para aí a estudar e deixa-me.

 

Temos nove anos de diferença. Nove aninhos. Eu 23, ela 14. Não é como se tivéssemos um fosso intransponível entre nós mas também não é fácil sermos pessoas normais de cada vez que interagimos. A verdade é que com a minha irmã sou capaz do melhor e do pior. Partilhamos imensa coisa, gostos musicais, séries e filmes, somos capazes de passar uma tarde inteira nas compras ou no quarto a falar das coisas mais descabidas. E esse é o lado bom de ter uma irmã. É uma espécie de bolha actimel, o único sítio onde me posso refugiar quando me apetece chorar só porque sim, sem ser assaltada com perguntas. Deixo-me estar. E estar, só por estar, com ela, faz-me bem. Também é com ela que vou ter quando quero partilhar a piada mais recriminável de todas, aquela coisa estúpida sobre a qual me sinto a pior pessoa do mundo por estar a fazer piada mas que sei que ela vai rir tanto ou mais despudoradamente do que eu. E ri. E rimos as duas. Até doer a barriga e faltar o ar. E, acreditem, é a melhor coisa do mundo esta de termos alguém que é um bocadinho de nós no sangue e na alma. Depois há o lado negro, aquele que, por sermos tanto uma da outra, não conseguimos ser normais uma com a outra. É que se tiver de me chatear à séria com ela, não consigo não ser indelicada. Sou e de uma forma como não o sou com mais ninguém. Chamo-lhe nomes, grito e levo para troca, e cinco minutos depois já só me apetece ir ter com ela e rir do que acabou de acontecer. E ao contrário passa-se exactamente a mesma coisa. É a ironia de querermos tão bem a alguém tão próximo, não existe o socialmente correcto nem há espaço para meias medidas. Só a sinceridade, o caos, o amor. Tudo à flor da pele.

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