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A vida de Sundays

A vida de Sundays

Fui cobarde

Antes do jogo estava confiante. Com uma confiança inabalável. Era o nosso ano, desta vez ninguém nos podia travar! Também tenho para mim que a confiança excessiva é sempre um mau presságio. Mas o que é que eu podia fazer? Estava confiante, pronto. Meti de parte os pensamentos negativos e resolvi acreditar, torcer por ti e acreditar no golo que tardava mas que eu sabia que viria. Afinal, este ano ele acabou sempre por aparecer e com a força e a garra digna do maior do mundo nunca me deixaste ficar mal. Mas este 14 de Maio, contra todos os prognósticos, o golo não apareceu.

 

E eu estava tão nervosa. Digo-te, acho que nunca sofri tanto por ti como nesta final. O meu coração batia a mil, e as oportunidades falhadas e penaltis que ficaram por marcar deram cabo de mim. Como era possível que nada corresse bem? O que é que podia ser pior do que, na final europeia, uma equipa que mostrou durante uma época inteira estar ao nível dos melhores, se apresentasse apenas "assim-assim"? E um árbitro que parece fechar os olhos sempre para o mesmo lado?

 

Quando soou o apito final, já depois do prolongamento, desisti. Não fui capaz de ver os penaltis e sofrer contigo e por ti. A ansiedade era muita e o medo da possibilidade de ver espelhada nos vossos rostos a tristeza de mais uma oportunidade perdida, ainda maior. Fui cobarde, eu sei, mas tenho dificuldade em lidar com situações que estão fora do meu controlo. E do vosso. Fechei-me no quarto e meti os auscultadores nos ouvidos o mais alto que me foi possível. Não queria ouvir, só queria o resultado final. Não é desculpa, eu sei, mas os penaltis são como o totoloto, a vitória cai para o lado que calhar e desta vez não foi para o nosso lado. É tão simples quanto isso. Nada invalida a vossa grandeza e a felicidade que já nos deram.

 

Não consigo deixar de sentir a ridícula sensação de culpa por não ter estado lá, colada à televisão a torcer por vocês com cada músculo que tenho no corpo. Há uma parte de mim que estupidamente acredita que isso podia ter feito a diferença. Desculpa-me, meu Benfica. És grande, sempre.

 

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