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A vida de Sundays

A vida de Sundays

Falar para o boneco

Somos animais de hábitos. Não há como negá-lo e, por muito que a frase seja cliché, não há muita coisa que seja mais verdade que isto. 

 

Habituamo-nos a esperar horas na fila para as finanças ou para a segurança social, mesmo sabendo que é absurdo.

Habituamo-nos à música que passa na rádio e que, apesar de terrivelmente pirosa, se vai entrenhando no ouvido até que a começamos a cantarolar.

Habituamo-nos ao humor matinal da nossa cara metade e aprendemos até onde podemos ir por muito que só nos apeteça corrê-lo a pontapé.

Habituamo-nos às meias e às botas depois de um verão só de sandálias (é só para mim que isto é horrível?)

Habituamo-nos a ver diariamente pessoas com quem não temos contacto há anos. Sabemos se estão mais gordas, onde jantam, que praia frequentam, como se isso nos oferecesse uma falsa sensação de companhia.

Habituamo-nos a partilhar a nossa própria vida - a nossa actividade física, o restaurante onde jantamos, a praia que frequentamos - com pessoas com quem não temos contacto há anos, como se isso nos oferecesse uma falsa sensação de felicidade.

 

Mas depois há o segundo nível, o do vício. Primeiro, o ser humano adapta-se, acomoda-se e depois... Bem, depois não há como voltar atrás. Ou haverá, mas parece que no caso da habituação (para não dizer dependência ou vício e correr o risco de ferir susceptibilidades) às novas tecnologias a coisa está mesmo negra. A última tentativa de contornar a nomofobia - sim, o medo de estar sem acesso ao telemóvel e às redes sociais é uma fobia - é a criação de um telemóvel que não funciona. Chama-se noPhone e promete fazer as delícias daqueles que sintam uma necessidade tão grande de tirar uma selfie que, pelo menos, podem fingir que o fazem. Não é fantástico? Mas vejam vocês próprios como funciona:

 

 

Simples, não é?

 

Eu, facebookinstagramodependente me confesso, e não me parece que ter um tijolo, energúmeno inútil a ocupar espaço e fazer peso dentro da mala vá substituir o meu pequeno portal de acesso ao mundo virtual e diminuir a minha presumível ansiedade. Mas isso sou eu, que não gosto de falar para o boneco...

 

Olhem, pelo menos frases como "falar para o boneco" ou "falar para as paredes" ganharam todo um novo sentido... Pelo menos isso.

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